sexta-feira, 3 de junho de 2011

Por uma vida melhor ...... nois pega os pexe. Por, Hamilton Wilson



Será que a professora Heloísa Ramos esperava tamanha repercussão, ao escrever o livro "Por uma vida melhor", onde defende construções como: “Nós pega o peixe”, por entender que se trata de dar a devida importância da norma popular da língua.
Acredito que existem fóruns adequados a discussões a respeito das mudanças que a língua portuguesa vem sofrendo ao longo do tempo. Seja por adequações aos regionalismos ou adaptações da escrita a evolução da linguística, como a que resultou no acordo ortográfico de 1991.
O que não consigo entender são os objetivos em se levar esse tipo abordagem para as salas de aula do ensino fundamental. Quais benefícios essa abordagem do ensino trará aos estudantes em fase de aprendizado? Será que serviria de ajuda aos 61% dos alunos do 5º ano que não conseguem interpretar textos simples, e os 60% dos alunos do 9º ano que não interpretam textos dissertativos?
O argumento de inclusão social, ou não discriminação, cai por terra se considerarmos, que esses alunos, em poucos anos, estarão se deparando com as exigências, cada vez maiores, dos empregadores. O resultado final certamente será oposto ao pretendido, a pretendida inclusão vai se transformar em exclusão, do mercado de trabalho.
O ensino, principalmente o público, já sofre de mazelas suficientes para querermos acrescentar mais uma. Em um país onde a evasão escolar é combatida com a aprovação automática, o ensino incorreto da língua portuguesa é, sem sobra de dúvida, jogar mais lenha da fogueira do analfabetismo funcional.
A competitividade de um pais passa necessariamente pela educação do seu povo, ou será que ainda há quem acredite que possamos disputar uma posição relevante no mundo desenvolvido, sem dar a devida importância a educação.
O conceito da educação já é percebido, nos países mais desenvolvidos, como algo além da capacitação do individuo para o mercado de trabalho. Ela é vista como sendo a adequação da população, para necessidades competitivas de um pais inserido em um mundo competitivo e globalizado.
A meu ver o único ponto positivo do livro da professora Heloísa Ramos foi trazer à tona, uma vez mais, os problemas da educação no Brasil. Talvez fosse o momento oportuno para se colocar em pauta, uma discussão séria e responsável sobre a reestruturação do ensino no Brasil.
Falar ou escrever errado deveria ser consequência do exercício da vontade própria do indivíduo, e nunca por falta de opção.

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